História

História da Santa Casa da Misericórdia de Alter do Chão

A Instituição “Casa da Misericórdia de Alter do Chão”, hoje conhecida por “Santa Casa da Misericórdia de Alter do Chão”, foi fundada no ano de 1524, no reinado de D. João III, ainda em vida da rainha D. Leonor, com privilégios concedidos por aquele monarca.

Nesse mesmo ano, D. Jaime, Duque de Bragança, determinou a entrega dos hospitais das vilas e lugares do seu senhorio às Misericórdias.

Na sequência desta determinação, foi incorporado na Casa da Misericórdia de Alter do Chão, o Hospital de S. Domingos, já existente na vila.

Anexo ao hospital existia a Capela de S. Domingos, que no século XVIII se terá transformado na Igreja de Nossa Senhora da Misericórdia.

O percurso da Misericórdia de Alter do Chão, em meados do século XX, terá sido muito semelhante ao de muitas outras Misericórdias espalhadas pelo país, com muitas dificuldades financeiras, que foram sendo supridas com diversas formas de angariação de fundos.

Nos anos 30, a Casa da Misericórdia, estaria com algum dinamismo. Em 1932, é publicado, em Diário do Governo, o quadro do pessoal, que era constituído por 2 médicos, 1 farmacêutico, 1 cartorário, 1 enfermeiro, 1 enfermeira, 1 criado e 1 lavandeira.

Também nos anos 30 se contruiu o Cineteatro (1933/1936), propriedade da Santa Casa da Misericórdia. Este edifício foi demolido na década de 60.

Porém, a situação ter-se-á agravado, pois em 1950, a Mesa da Misericórdia apelava à população para contribuir para as obras de remodelação do hospital e construção de um albergue.

No início da década de setenta, dois terços das camas dos Hospitais pertenciam às Misericórdias. O Estado só tinha controlo dos hospitais centrais de Lisboa, Coimbra e parcialmente do Porto.

Com a Revolução de Abril, os hospitais das misericórdias localizados nas sedes de distrito passaram, ainda em 1974, a ser geridos por uma comissão nomeada pelo Governo. Os edifícios passaram para o usufruto do Estado e caso deixassem de funcionar como Hospitais, voltariam para as Misericórdias.

Em 1975, o Estado estendeu a nacionalização aos hospitais concelhios, reforma que abrangeu o Hospital da Misericórdia de Alter do Chão.

Posteriormente, na sequência da criação do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e da consequente reorganização da sua estrutura, nomeadamente com a criação da rede nacional de Centros de Saúde, alguns hospitais começaram a ser devolvidos às Misericórdias.

Em 1980 é celebrado um contrato de arrendamento entre a Santa Casa da Misericórdia de Alter do Chão e o  Estado, referente ao Hospital Concelhio de Alter do Chão, com vista a “reparar os prejuízos causados pela oficialização do seu hospital”.

Como se referiu acima, no período pós 1974, e na sequência de todas as transformações que se foram implementando no País, as Misericórdias diversificaram a sua atividade social, e a Misericórdia de Alter do Chão não foi exceção. Tendo sido despojada do seu hospital, a Misericórdia diversificou a sua atividade social, retomando a verdadeira vocação assistencial das Misericórdias.

Em 1982, é inaugurado o primeiro lar para idosos, complementado por Centro de Dia, Apoio Domiciliário e Centro de Convívio.

A Creche inicia as suas funções em 1986. Porém, antes desta data já tinham funcionado duas outras valências também na área do apoio à infância, o Jardim Infantil e a Ocupação dos tempos livres.

Em 1992 foram inauguradas as novas instalações do Lar Nossa Senhora da Assunção.

Com a inauguração do novo edifício do Centro de Saúde da Vila de Alter do Chão, em 1999, o edifício do Hospital volta à posse da Santa Casa da Misericórdia.

Atualmente, as instalações do hospital, estão ocupadas por uma Unidade de Cuidados Continuados Integrados, que iniciou a sua atividade em setembro de 2009, e que é gerida pela Santa Casa da Misericórdia.

Ao longo de mais de 500 anos de existência, a Santa Casa da Misericórdia de Alter do Chão, foi respondendo às necessidades que foram surgindo ao longo dos tempos, com respeito por todos aqueles, naturais ou residentes em Alter do Chão, que de uma forma ou de outra necessitaram do seu apoio.

Obra de mais de 5 séculos, que só foi possível pelo empenho de todos aqueles, trabalhadores e membros dos órgãos sociais, benfeitores e outros, que colaboraram num espírito de missão.

Continuar e/ou melhorar a qualidade dos serviços a prestar aos nossos utentes nas diversas respostas (Lar “ERPI”, Centro de Dia, Serviços de Apoio Domiciliário, Centro de Convívio, Unidade de Cuidados Continuados Integrados e Creche), será o grande desafio para o futuro.

SHAPE PROJECTS